Três

Três pode ser uma video instalação que almeja ser uma performance audio visual, pode ser também um conjunto de objetos cinéticos que querem se comportar como dança, mas antes de mais nada é uma exposição resultado do compartilhamento de um espaço de pesquisa. Se iniciou na dança experimentada pela Companhia Flutuante, que é naturalmente entrecruzada pelas práticas sutis das mais diferentes áreas de conhecimento do movimento, ao mesmo tempo passou pela pesquisa teórica sobre cultura, saúde e comportamento japonês, desembocando na intersecção da pesquisa do artista plástico Roberto Freitas à este universo.

Depois de um ano de convivência e compartilhamento de práticas, a contaminação no trabalho do artista plástico se tornou evidente: ritmo é outro, o sentido foi desviado à aceitação do acaso, a dinâmica do improviso se tornou fundamental e está materializada na forma de algoritmos programados que dão sentido ao comportamento dos objetos da instalação.

Essa video instalação parece ser feita ao revés, todo aparato maquínico parece estar na frente, o suporte de projeção, os projetores, as caixas de música estão presente como protagonistas. São aparatos feitos manualmente com eletrônica, metal, madeira e outros materiais que se tornam objetos escultóricos tão importantes quanto as imagens e sons que produzem. Inclusive os procedimentos empregados na construção dos objetos são os mesmos da produção das animações: parte a parte sem um projeto detalhado a seguir, onde o produto de uma parte já feita sugere os rumos dos próximos passos a serem dados.

 

imagens do processo de construção.